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Estamos lá para os ver ir embora

por:Joana Rita (sou praticante da adopção de animais, com a sensação de que são sempre eles a adoptar-me)

Estamos lá para os ver ir embora “Joana, como é que lidas com as adopções dos cães do albergue?”
“Joana, não é difícil ver os cães a ir embora?”
“Joana, e se faço voluntariado e crio uma ligação com um dos cães e ele acaba por ser adoptado?”

Estas são algumas das perguntas que me fazem habitualmente, a propósito do voluntariado com cães, na UPPA – União para a Protecção dos Animais. O que respondo? “Estamos lá para os ver ir embora”.

Sim, vamos criar ligações com alguns dos cães – mais com uns do que com outros. O motivo? É natural termos empatia com um ou outro cão, sobretudo quando nos dedicamos aos passeios. Esse cão com o qual criamos empatia vai passar a ser um dos grandes motivos para o voluntariado. Vamos querer mimar, passear, limpar os cocós, alimentar – e até acompanhar em consultas ao veterinário ou situações clínicas mais delicadas.

Depois chega a boa notícia: há uma visita para a sua adopção. E o nosso coração vacila, claro: vamos deixar de ter aquela presença no albergue, semana após semana. E o nosso melhor amigo vai ter a oportunidade de estar e viver em família. Afinal, é isso que verdadeiramente queremos, não é?

Estamos lá para os ver ir emboraÉ inevitável criar empatia e laços mais fortes com um ou outro canito. É impossível, creio. Por isso custa vê-los ir embora. Saber que estão bem e felizes é aquilo que nos tranquiliza. Proporcionar a melhor vida possível aos outros cães que ficam - é essa a tarefa que os voluntários têm e assumem, entre lágrimas de alegria pelas adopções felizes e responsáveis.

joana-e-fred

Joana Rita Sousa

Filósofa, Professora de Filosofia, Jornalista, Social Media expert e Blogger. Autora do blog All About Little Lady Bug onde escreve sobre tudo um pouco e onde frequentemente encontramos publicações em torno da sua paixão por animais, espelhada na sua acção como voluntária da UPPA – União Para a Protecção dos Animais.

O Intermarché fez-lhe o convite para que partilhasse consigo um pouco da sua experiência sobre o mundo dos animais, que sempre fez parte da sua vida.

O autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

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