Um Loureiro fresco e perfumado

por João Pedro Carvalho

Quando o tempo permite passar um belo fim de tarde no terraço ou na esplanada com os amigos, apetece abrir vinhos igualmente descontraídos, pouco ou nada entediantes e que promovam a conversa e a boa disposição. Que se sirvam frescos e em copos dignos para o seu efeito. Hoje em dia há copos adequados para vinho a preço tão simpático que vale bem a pena, fica a ganhar o vinho, a mesa e nós, porque com copos adequados para o efeito passamos a desfrutar de todas as sensações que o vinho nos tem para dar. Ora dito isto, convém realçar que com o tempo a aquecer se deixam de lado grande parte dos tintos e entram em cena os rosés e os brancos. É no vinho branco que me quero centrar, mais propriamente num branco oriundo da região dos Vinhos Verdes.

Alvarinho

Esta região é hoje em dia uma verdadeira arca do tesouro, tal a quantidade de vinhos fantásticos que por lá conseguimos encontrar. Os brancos ali produzidos gozam de uma apetência natural para brilhar à mesa quando o assunto é bichos do mar, seja marisco ou peixe, grelhados ou na chapa, mesmo em versão assado ou até caldeirada, estes brancos tratam por tu todas estas variações. A seu favor, a quase sempre baixa graduação, a acidez/frescura que apresentam, com uma energia nos refresca a alma e revigora o palato, e toda uma panóplia de aromas que liga tão bem com tudo o que já foi dito, desde os camarões na chapa, ameijoas à Bulhão Pato, mexilhões ao natural, gambas ao alhinho ou umas sardinhas assadas, e um sem fim de pratos e pratinhos. Desde os famosos Alvarinhos, com ou sem um toque de Trajadura, aos Avesso, passando pelos Loureiro, são estas as castas, as responsáveis por estes autênticos vinhos de verão.

O vinho sobre o qual agora escrevo é oriundo da região dos Vinhos Verdes, criado pelo produtor Quintas de Melgaço e apresenta-se como um 100% Loureiro. De aromas frescos e muito perfumado, cheira a verão, a praia de calções e chinelos, daqueles brancos que apetece beber na esplanada com um prato de conquilhas. Baixa graduação, que sendo servido bem fresco o faz evaporar como água, a frescura de boca limpa o palato e pede mais uma garfada, mais um trago. Um vinho que não nos satura e se mostra sempre com uma muito boa disposição, de tal maneira que quando damos conta a garrafa já terminou e temos de abrir outra. E que melhor elogio se pode fazer a um vinho senão esse!

João Pedro Carvalho

As opiniões de
João Pedro Carvalho

Nascido e criado no Alentejo, em Vila Viçosa, com formação académica em Engª do Ambiente, sempre fui defensor e apreciador dos produtos e da gastronomia de cada região.
O mundo do vinho foi-me cativando até que em 2005 criei o primeiro blog de vinhos em Portugal, o Copo de 3. O objectivo ainda hoje é o mesmo, divulgar o melhor possível todos os vinhos que vou tendo a oportunidade de provar e tentar cativar os consumidores para este fantástico mundo.

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