Selecção de Enófilos Douro tinto 2013
Por: João Pedro Carvalho
Continuamos à volta dos aromas e dos sabores dos vinhos das regiões deste nosso Portugal que cada vez mais se afirma como um país produtor de vinhos com uma identidade muito própria. Não é preciso um conhecimento muito aprofundado e é um exercício interessante para se fazer à mesa com os amigos.
Basta para isso colocar em prova duas ou três garrafas, cada uma representante de cada região, para que lado a lado se consigam encontrar diferenças entre eles. Vinhos que mesmo na sua forma mais simples são fiéis a um cunho que conseguimos associar às regiões, fruto das diferenças do clima, dos solos, das castas, de toda uma diversidade que faz com que a diferença exista. Somos portanto uns felizardos que num pequeno canto a beira mar plantado consegue apresentar uma panóplia tão grande e diversificada de aromas e sabores num simples copo.
Neste caso temos um vinho oriundo do Douro, região que se divide em três (Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior) com cada uma a mostrar vinhos com identidade muito própria. O vinho que já rodopia no copo nasceu no Cima Corgo, criado pelo produtor C. da Silva a partir de vinhas velhas localizadas nas encostas dos rios Douro (Ervedosa), Pinhão e Varosa. Um vinho de fácil abordagem e que facilmente conquista à mesa, muito boa frescura com cheiros de fruta silvestre madura, toque vegetal a lembrar mato e em pano de fundo, uma fina e delicada complexidade com especiarias e cacau. Mas é a fruta bem madura e fresca que marca a prova, com toda a energia e aquele tom mais agreste e marcante tão característico dos socalcos Durienses. Tal como o Douro Reserva tinto que já aqui foi falado, este mostra-se muito pronto a fazer-nos companhia num consumo diário, mostrando qualidade a um preço imbatível.
O autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.